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Abrantes: Jantar vínico na Cascata com vinhos da Família Cardoso é evento a repetir (c/áudio)

2/04/2025 às 11:45

Gastronomia e vinhos andam, normalmente, de mãos dadas. Mas num jantar vínico, gastronomia e vinhos fazem um casamento, que se pretende, perfeito. Se o chef encontra os sabores, o enólogo vai aromatizá-los com as escolhas certas.

E foi isso que aconteceu no restaurante A Cascata, com o primeiro jantar vínico que juntou aos bons sabores da cozinha tradicional as escolhas do Douro e Alentejo para uma soirée que é uma novidade. Aliás, Carla Martins, gerente da Cascata, revelou que este era já um desejo antigo que ainda não tinha sido concretizado porque, “felizmente, temos os fins de semana do ano quase todos preenchidos.” Mesmo assim arranjou um sábado para trazer o Alentejo, com a Quinta Lisboa, e o Douro, com a Quinta do Reguengo, a Abrantes.

Comecemos a descrição pelas entradas com canapés variados com tártaro de pato, ou de atum, ou queijo e acompanhados por um espumante Convés, branco 2020. Quem diz que o Alentejo não pode ter espumantes?

Depois seguiu-se um tinto, Vale da Pia 2021, com origem no Douro superior para acompanhar uma trilogia das Beiras com miolada, maranho e bucho recheado, que constituem cartão de visita deste território, mas que na Cascata apresentam, com orgulho, como iguarias feitas “cá em casa.”

Para um lascado de bacalhau assado, cremoso de batata no forno e molho velouté de peixe, a aromatização foi com um branco Cais do Reguengo (Douro) de 2023.

Seguiu-se um tinto alentejano, Paço dos Infantes de 2021, para acompanhar um prato forte de lombinho de porco preto a baixa temperatura, acompanhado com a açorda da casa e cogolho braseado.

E para fechar o cardápio, nova trilogia, mas doce. Sericaia com ameixa de Elvas, Palha de Abrantes e pudim Abade de Priscos. E foi a fechar que a Família Cardoso apresentou a novidade de 2025, o primeiro Porto da Quinta do Reguengo, um Cortes do Reguengo Tawny de 20 anos.

 

O “casamento” entre os sabores da gastronomia e os aromas do vinho foram feitos de forma simples. A Cascata apresentou uma proposta de ementa como base para as escolhas dos vinhos. Se a entrada fosse, de marisco, por exemplo, já podia entrar um rosé ou um branco, explicou Alexandre Silva, destacando o fato de os vinhos acompanharem as escolhas. E aquela ideia sobre um branco para peixes ou um tinto para carnes não tem, necessariamente, de ser assim. Tudo depende das ementas e do que se queira apresentar.

Os vinhos foram apresentados por Alexandre Silva, diretor comercial, e por Sofia Cardoso, enóloga, da Família Cardoso, a empresa proprietária das duas quintas, para que os clientes possam degustar com a explicação das escolhas.

Alexandre Silva destaca o interesse destes eventos pelo contacto direto com o consumidor. Podem recolher opiniões, mas acima de tudo esclarecer dúvidas que possam existir. Uma delas, por exemplo, teve a ver com a diferença dos tintos, porque é que do Douro para o Alentejo há tanta diferença.

E depois o desfazer de mitos ou de como melhor servir os vinhos. O branco precisa de estar fresco, mas não a estalar. E os tintos, se tiverem estágios mais longos, deverão arejar antes de serem servidos. E, à volta dos vinhos, há sempre muitas curiosidades. Mas Alexandre salienta que os vinhos têm de ter identidade. Um vinho do Douro tem de cheirar a Douro e saber a Douro.

2024 foi, para a Família Cardoso, um ano muito bom. E 2025 pode seguir as mesmas pegadas. Choveu muito, mas agora é preciso que a vinha entre em stress para apurar a uva. Uma das consequências das alterações climáticas já chegou ao setor. Alexandre Silva diz que, atualmente, as vindimas começam muito mais cedo do que noutras décadas, tudo por causa do calor intenso que acelera a frutificação das vinhas.

A maior percentagem dos vinhos é consumo interno, mas há exportação para a Europa, Brasil e há uma percentagem que vai para os Estados Unidos. Face às ameaças com as tarifas de Donald Trump a Família Cardoso não está muito preocupada, embora haja vinhos a caminhos da América do Norte. Mas na ameaça pode haver outras oportunidades, “quem sabe o Canadá possa ser uma porta que se abre.”

 

Alexandre Silva, Família Cardoso

A cozinha é a marca da Cascata. São 40 anos. 40 anos é uma vida. E uma vida com um caminho que foi sendo desbravado a partir de 1975, antes da data que é assinalada como o ponto de partida para esta caminhada que resultou de uma cascata de decisões, risos, choros, emoções ou ansiedades.

Em 1983 José Maria Martins e a mulher, Fernanda, meteram as mãos na massa e, juntos, deram um salto para uma vida. A 25 de dezembro de 1983, qual menino Jesus, nascia espaço onde se podia comer bem.

O início, como todos os princípios, foi devagarinho. A mulher, Fernanda, dividia o tempo entre a escola, onde era professora, e a cozinha. O restaurante tinha apenas o rés do chão. Mas foi crescendo.

Em 1997-98 conquista o primeiro prémio do concurso do Ano Nacional do Turismo/Gastronomia Património Nacional. Fernanda Martins leva a este concurso um prato de peixe do rio, o achegã grelhado com o “nosso” molho especial. Daí para cá não parou.

Atualmente a Cascata pode trabalhar com cinco espaços, os quatro em Chainça, rés do chão e esta sala que se juntam a mezzanine e o Salão Jardins da Cascata. E depois junta-se ainda o espaço Sabores da Cascata, em Abrantes. 

Até final de outubro, Carla Martins, diz que está a agenda cheia com eventos, pelo só para depois dessa temporada é que poder ser pensada uma segunda edição de um jantar vínico.

Para já há uma novidade, Carla Martins adianta que, dentro de três meses, haverá um novo local de estacionamento em frente ao restaurante. Trata-se de uma necessidade para alargar o conforto dos clientes, porque com todos os espaços a funcionar é preciso garantir estacionamento. Já existe um, nos Jardins da Cascata, mas é curto, pelo que em junho, se tudo correr bem, há mais uma centena de lugares e com zona para carregamento de carros elétricos.

Carla Martins, Cascata 

Quanto aos vinhos, é uma ligação do Douro ao Alentejo que, curiosamente, começou no Ribatejo. A Família Cardoso notabilizou-se na produção de azeites. Mas João Cardoso queria expandir a produção. E foi com esse objetivo que adquiriu, em 2011, a Herdade da Lisboa. Da história desta propriedade faz parte a marca de vinhos Paço dos Infantes. Foram populares nos anos 80 e 90 e acabaram por ser recuperados pela Família Cardoso.

Já com os vinhos do Alentejo em marcha, João Cardoso, fez uma viagem pelo Douro ali para os anos 2015 ou 2016 e apaixonou-se pela Quinta do Reguengo, no Douro superior, em Vila Nova de Foz Côa. Uma quinta com história, por foi uma Quinta Real. Pertenceu à Rainha D.ª Amélia.

Em 2018 arrancou o projeto vínico do Douro com o objetivo de produção de vinhos e futuros Vinhos do Porto. E o que aconteceu em Abrantes foi a estreia do 1.º Porto, um Tawny de 20 anos que Alexandre Silva caracteriza como um Porto de mesa, ou seja, mais encorpado e mais forte que pode acompanhar gastronomia e não apenas ser apresentado como um acompanhamento de aperitivos.

No conjunto das três regiões (Douro, Alentejo e Ribatejo), a Família Cardoso conta 300 hectares de vinha e ainda 700 hectares de olival e 400 hectares de floresta.

Os jantares vínicos começam a estar na moda, assim como outros eventos ligados à gastronomia. Neste caso é fazer o casamento perfeito entre os sabores da cozinha portuguesa aromatizada pelos vinhos nacionais. E a noite é sempre uma experiência. Afinal de contas uma boa conversa, numa mesa bem servida e regada faz sempre um serão de excelência.

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