Depois da mudança da hora no final de março, temos agora de nos adaptar a novas horas para observação. No início do mês, o amanhecer agora ocorre por volta das 07:15 e o Sol só se põe por volta das 20:00. Mas conforme nos aproximamos do verão, os dias vão ficando cada vez maiores – no dia 30, o Sol já nasce por volta das 06:30 e põe-se às 20:30.
Quanto à visibilidade dos planetas, ao anoitecer podemos ver Júpiter e Marte, enquanto ao amanhecer, aparece agora o planeta Vénus e, a partir do meio deste mês, ainda se poderá ver (com muito custo) os planetas Mercúrio e Saturno. No caso de Mercúrio, este está sempre muito baixo no horizonte, ao amanhecer, pelo que só vão conseguir vê-lo se não tiverem qualquer obstáculo virado a Este. Já Saturno começa a subir cada vez mais (e a afastar-se cada vez mais do Sol) no céu, pelo que a sua visibilidade será cada vez melhor.
No dia 5 a Lua atinge o quarto minguante e passa a apenas 2 graus do planeta Marte. No dia 13 atinge a lua cheia, a segunda das 3 “micro” luas cheias de 2025 (a primeira foi em março e a terceira será em maio). Uma “micro” lua cheia é o oposto de uma “super” lua cheia, ou seja, são as luas cheias que ocorrem quando o nosso satélite está no (ou perto do) ponto de maior afastamento da Terra, o apogeu.
Com a Lua a cerca de 405 mil quilómetros de distância, o nosso satélite vai parecer cerca de 13% menor e 30% menos brilhante do que a lua cheia no perigeu (a “super” lua cheia, que está a cerca de 360 mil quilómetros da Terra).
No dia 21 a Lua atinge a fase de quarto minguante e, no dia seguinte, ocorre o pico da “chuva” de meteoros das Líridas, resultante da passagem da Terra pelo rasto do cometa C/1861 G1 (Thatcher). Apesar das previsões apontarem para cerca de 20 meteoros por hora durante o pico, esta “chuva” produz vários meteoros com rastos brilhantes e visíveis durante vários segundos, por isso deve valer a pena ficar algum tempo a olhar para o céu.
As Líridas devem o seu nome à constelação da Lira, onde está situado o radiante (ponto de onde parecem emanar todos os meteoros). A constelação nasce por volta das 22:00, a nordeste, por isso a altura ideal para observações será a partir das 22:30. A Lua em quarto minguante nasce por volta das 4 da manhã e só está 40% iluminada, por isso não deve afetar muito a observação destes meteoros.
O Céu virado a nordeste, às 23:30 do dia 22 de abril 2025, com indicação do radiante da “chuva” de meteoros das Líridas. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis /Stellarium)
Dia 24 Vénus atinge o máximo de brilho e dia 25 a Lua está 3 graus abaixo deste planeta, mas a apenas 2 graus à esquerda de Saturno. No dia seguinte, o nosso satélite está pouco mais de 5 graus de Mercúrio.
Quase a terminar o mês, no dia 27 o nosso satélite atinge a lua nova, enquanto no dia 28 há uma conjunção entre Vénus e Saturno, ao amanhecer. No dia seguinte, um fino crescente da Lua passa a apenas 4 graus de Júpiter, ao anoitecer.
Boas observações.
Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)