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Aeroporto: CIM do Médio Tejo diz que localização em Alcochete não favorece coesão territorial

17/05/2024 às 15:23
Manuel Jorge Valamatos com os vice-presidentes Vasco Estrela (à esquerda) e Bruno Gomes (à direita)

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo lamentou hoje a escolha de Alcochete como localização para o novo aeroporto da região de Lisboa, considerando que a construção da infraestrutura na margem sul não favorece a coesão territorial.

Em comunicado enviado às redações a CIM que agrega 11 municípios no Médio Tejo, e que tinha manifestado apoio à solução de Santarém, “lamenta a opção tomada por uma localização na margem sul” do rio Tejo.

“Como sempre defendemos, a localização em Santarém era a opção que melhor defendia a coesão territorial, que aproximava diferentes regiões, exigia um menor esforço em infraestruturas e que daria, de facto, um contributo decisivo no atenuar das assimetrias do país”, lê-se na posição conjunta dos 11 municípios que integram a CIM Médio Tejo, todos no distrito de Santarém.

Na nota, a CIM Médio Tejo salienta a “necessidade de fazer acompanhar a construção do novo aeroporto de um conjunto de infraestruturas imprescindíveis”, nomeadamente para a sub-região Médio Tejo.

O presidente da CIM do Médio Tejo, Manuel Jorge Valamatos, que também preside ao município de Abrantes, reagiu aos jornalistas, à margem da apresentação de uma nova empresa que se vai instalar, confirmando que “a escolha de Santarém seria a verdadeira coesão territorial.”

O autarca vincou que agora é necessário que existe, por parte do governo, a atenção em relação a uma série de questões, principalmente acessibilidades em todo o Médio Tejo e até numa região mais alargada. E referiu-se, desde logo ao cumprimento do Plano Rodoviário Nacional, com a conclusão da A13 [autoestrada 13] entre Vila Nova da Barquinha e Almeirim, com resolução da travessia do Tejo na zona da Chamusca, assim como a conclusão do IC9 [Itinerário Complementar 9], entre a A23 e Ponte de Sôr, com resolução da travessia do Tejo entre Abrantes e Constância.

Manuel Jorge Valamatos adiantou ainda que, embora o aeródromo de Tancos nunca tenha ficado posto de parte, é altura de voltar a olhar para esta possibilidade. A utilização partilhada militar-civil poderá potenciar uma infraestrutura que, embora com utilização, não assume um papel estratégico nas Forças Armadas portuguesas.

 

Manuel Jorge Valamatos, presidente CIM Médio Tejo

 

A discordar da solução aprovada pelo governo, Manuel Jorge Valamatos foi questionado sobre o facto de a mesma ser a melhor opção apontada pela Comissão Técnica Independente. O autarca revelou que não põe em causa as questões técnicas da escolha, mas que a coesão territorial não será uma opção “técnica” de uma comissão, mas sim uma decisão mais política. E reforçou que a solução Santarém poderia apontar a uma valorização positiva de uma maior fatia de território onde poderia existir uma coesão territorial mais forte.

Manuel Jorge Valamatos, presidente CIM Médio Tejo

A CIM Médio Tejo integra os concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.

Recorde-se que em junho, as comunidades intermunicipais das regiões do Médio Tejo, Beira Baixa, Leiria e Coimbra tinham assumido uma posição pública conjunta na defesa da escolha de Santarém para a construção do novo aeroporto da região de Lisboa, considerando que seria a opção ideal.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou na terça-feira que o Governo aprovou a construção do novo aeroporto da região de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, seguindo a recomendação da Comissão Técnica Independente (CTI).

O Campo de Tiro da Força Aérea, também conhecido como Campo de Tiro de Alcochete (pela proximidade deste núcleo urbano), fica maioritariamente localizado na freguesia de Samora Correia, no concelho de Benavente (distrito de Santarém), tendo ainda uma pequena parte na freguesia de Canha, já no município do Montijo (distrito de Setúbal).

O município ribatejano de Benavente, com cerca de 521 quilómetros quadrados, fica na fronteira do distrito de Santarém com a Área Metropolitana de Lisboa (AML) e a menos de meia hora de entrada em Lisboa.

Além do novo aeroporto, que se vai chamar Luís de Camões, o Governo decidiu também mandatar a Infraestruturas de Portugal para concluir os estudos para a construção da Terceira Travessia do Tejo e da ligação ferroviária de alta velocidade Lisboa-Madrid.

A Comissão Técnica Independente (CTI) designada para avaliar as opções da nova infraestrutura publicou no dia 11 de março o relatório final da Avaliação Ambiental Estratégica do novo aeroporto, mantendo a recomendação de uma solução única em Alcochete ou Vendas Novas, mas apontou que Humberto Delgado + Santarém poderia “ser uma solução” transitória.

Jerónimo Belo Jorge c/Lusa

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