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Investigação: ULS Médio Tejo apresenta Centro de Investigação e Inovação Clínica (c/áudio)

20/02/2024 às 10:24

A Unidade Local de Saúde (ULS) Médio Tejo apresentou esta segunda-feira, dia 19 de fevereiro, em Tomar o Centro de Investigação e Inovação Clínica (CIIC), projeto que vai permitir aos profissionais aplicar o conhecimento à ciência visando a melhoria da prestação de cuidados.

Trata-se de uma das 32 medidas prioritárias para o primeiro ano de atividade da nova instituição e, para além da apresentação, a ULS celebrou dois novos protocolos com o Instituto Politécnico de Coimbra e com o Instituto Politécnico de Santarém para reforçar a presença da academia neste centro.

Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração da ULS do Médio Tejo, assumiu o CIIC como um pilar da instituição: “O novo centro de investigação vem juntar aquilo que é a nossa experiência na prestação de cuidados de saúde à academia. Este encontro levará a melhorias diretas nos cuidados de saúde prestados pela instituição aos seus utentes”.

Casimiro Ramos explicou, depois, que o CIIC da ULS Médio Tejo vai ter uma abordagem multidisciplinar e pretende acolher profissionais de todas as categorias e funções – médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de diagnóstico e terapêutica, mas, também, profissionais que possam vir a implementar melhorias e inovações nos processos, como Gestores Hospitalares, Informáticos, entre outros.

O presidente da ULS Médio Tejo explicou que este centro deverá evoluir para a atribuição de bolsas de investigação, pela ULS Médio Tejo, aos seus profissionais para a realização de ensaios ou estudos científicos, ou para frequentar cursos académicos. É um objetivo incentivar todos os profissionais da instituição a aderir a este centro de inovação e conhecimento, acrescentando valor e mais-valias de trabalhar em saúde na região do Médio Tejo.

 

Casimiro Ramos, presidente ULS Médio Tejo

Presente na sessão de apresentação do CIIC esteve o atual Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, antigo diretor de Serviço de Patologia Clínica do Centro Hospitalar do Médio Tejo, que se localiza na Unidade Hospitalar de Tomar da ULS Médio Tejo. Carlos Cortes mostrou dupla satisfação de estar presente neste importante marco da instituição: “Tenho muito orgulho: primeiro, porque esta é e será sempre a minha casa. Mas hoje a ULS Médio Tejo dá um sinal muito importante a nível nacional, com uma das primeiras iniciativas da sua história ser um aspeto muito importante e, por vezes, largamente desvalorizado: dar a primazia à ciência e colocá-la ao serviço dos doentes”, afirmou o Bastonário da Ordem dos Médicos.

E depois acrescentou que “a finalidade deste centro de investigação tem como ponto base o doente. Isto é que é extremamente relevante – melhorar a condição da medicina que é praticada na ULS, melhorar o SNS, melhorar a saúde em Portugal e melhorar a vida das pessoas. É para isto que foi criado o CIIC da ULS Médio Tejo.”

Carlos Cortes considera a aposta na ciência vital para qualquer sistema de saúde: “Temos de saber respeitar a ciência e saber aplicá-la. E é isso que está a fazer a ULS Médio Tejo – uma aposta clara na ciência”, disse.

O Bastonário insistiu na importância deste centro, frisando que há três grandes pilares do SNS. O pilar assistencial, é o mais visível. Depois vem o da formação, porque os profissionais de saúde querem ser exigentes na sua formação. E a seguir, não menos importante, o terceiro pilar que é o desafio importante da investigação e inovação clínica. E, frisou, a ULS do Médio Tejo fica agora “desenhada” com estes três pilares, tendo destacado o facto de haver uma aposta na investigação e inovação logo no arranque desta nova estrutura que agrega todos os cuidados de saúde desta sub-região.

O Bastonário da Ordem dos Médicos disse ainda acreditar que este projeto valoriza tanto o Serviço Nacional de Saúde como os profissionais da ULS Médio Tejo: “O CIIC é um projeto para os profissionais da ULS. O SNS não se pode desenvolver sem os seus profissionais, sem as pessoas. É um erro pensar que bastam infraestruturas e equipamentos. O CIIC da ULS Médio Tejo vai servir o propósito a ligar os profissionais de saúde à instituição, e entre si - cuidados de saúde primários aos dos cuidados hospitalares. Vai mantê-los na região e no SNS, atraindo mais profissionais para o SNS. Os profissionais querem condições para desenvolver o seu trabalho – na componente assistencial, formativa e de investigação, estruturada, com apoio da própria instituição. É o que aqui vão encontrar”, avaliou.

O Bastonário concluiu a reforçar a finalidade desta investigação. “Tem de ter um ponto final que é o doente. Não fazemos investigação para nos divertirmos ou só para ocupar o tempo. Não é só um contributo para melhorar o SNS. É olhar para o doente, é a vida das pessoas.”

 

Carlos Cortes, Bastonário Ordem dos Médicos

Após a apresentação do Centro foram assinados dos acordos de colaboração entre a ULS do Médio Tejo e o Instituto Politécnico de Santarém, nomeadamente com a Unidade de Investigação em Qualidade de Vida, e com o Instituto Politécnico de Coimbra, através da Escola Superior de Tecnologia da Saúde, uma das mais destacadas na investigação química em serviços de saúde. Recorde-se que o Instituto Politécnico de Tomar já tinha protocolo assinado com o Centro Hospitalar do Médio Tejo que continua nesta nova estrutura.

Para o funcionamento pleno do CIIC falta a criação do Conselho Científico e a adesão de mais profissionais do Médio Tejo a este centro, sediado em Tomar, mas com salas nas unidades de Abrantes e Torres Novas.

O funcionamento pleno do Centro pode, no futuro, acrescentar financiamentos à ULS e, principalmente, dar notoriedade no setor da investigação e estudos.

Rita Reis é a coordenadora Centro de Investigação e Inovação Clínica e na apresentação da estrutura funcional começou por fazer uma “fotografia” do que é esta área em Portugal. E disse haver muito trabalho a desenvolver nos ensaios clínicos, frisando que é o Infarmed a entidade que autoriza todos estes processos. Em 2022 foram 220 os ensaios submetidos e apenas 152 foram autorizados. O melhor ano de sempre foi 2023, onde estavam 523 ensaios ativos, sendo um deles no médio Tejo. Outro dado importante é o facto de 37% dos ensaios serem desenvolvidos por entidades privadas.
O CIIC foi previsto há uns anos e foi criado formalmente em junho de 2023. Toda a estrutura está definida, faltando apenas definir conselho científico, que deverá ter 11 elementos. Já o quadro de investigadores funcionará como uma bolsa.

No que diz respeito à dinâmica, o CIIC não substitui nenhum dos outros serviços da ULS, é mais uma ferramenta para poder ajudar a melhorar a relação com o doente.

Há um dado que é muito importante, é que este centro pode servir como unidade de captação de financiamento para a ULS para além de dar a conhecer produção científica como fonte de prestígio para a ULS do Médio Tejo.

Se a assistência é o principal foco da Unidade Local de Saúde, Rita Reis defende que “também é muito importante esta aposta no desenvolvimento e aquisição de novos conhecimentos, através da investigação (...) que seja divulgada e que chegue ao utente.”

Este CIIC não é um super laboratório. “Quando falamos em estudos clínicos, há os ensaios que são mais complexos e demorados que visam uma terapia inovadora, e depois temos os estudos sem intervenção, mais observacionais. Estes podem ser desenvolvidos por médicos, pela área da enfermagem ou de tecnologias. O ideal será sempre equipas multidisciplinares”, explicou a coordenadora do CIIC.

Há depois os estudos observacionais de âmbito académico que também fazem parte do Centro e aí a “equipa de investigação é o próprio investigador, porque o objetivo é a sua formação académica.”

Nesta altura existem três ensaios em curso no Médio Tejo, um número que Rita Reis não considerou baixo. "Trata-se de estudos para implementação de um novo medicamento. Pela sua complexidade não se espera que existam números altos.”

Rita Reis destacou que as métricas de avaliação do CIIC não os números absolutos, como das outras áreas em que se define um número de consultas ou exames. Neste centro as métricas têm, forçosamente, de passar por outros crivos, uma vez que o mais importante passa a ser a qualidade dos estudos ou as áreas em que os mesmos são desenvolvidos.

Rita Reis, coordenadora CIIC

O objetivo agora passa pela conclusão do Conselho Científico e captar investigadores nos cuidados hospitalares e cuidados primários de saúde do Médio Tejo.

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